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Como venci meu vício no Instagram (e reduzi meu uso para menos de 10 minutos por dia)

  • há 1 hora
  • 5 min de leitura

O dia em que percebi que algo estava errado

No ano passado, percebi que estava viciada no Instagram. Meu tempo médio de uso variava entre quatro e seis horas por dia. Hoje, ele gira entre oito e dez minutos. Mas essa mudança não aconteceu de forma natural. Foi resultado de um processo (às vezes desconfortável, às vezes libertador) de perceber que minha relação com aquela rede havia ultrapassado o limite saudável.


Caso você prefira continuar consumindo este conteúdo em forma de vídeo, assista abaixo:



Se você clicou neste texto, talvez já tenha passado pelo primeiro estágio para vencer qualquer vício: reconhecer que ele existe. No meu caso, essa percepção começou de forma bastante prática. Eu estava procrastinando muito e meu trabalho não rendia. Foi então que recebi uma notificação no celular sobre o meu tempo de tela.


Quando cliquei para ver os dados, levei um susto. Além das horas diárias no aplicativo, havia também o número de vezes que eu abria o Instagram ao longo do dia. Era muito mais do que eu imaginava. Foi naquele momento que entendi: eu precisava fazer alguma coisa a respeito.


Por que limitar o tempo de uso não funciona (quando já existe o vício)

A primeira solução que a maioria das pessoas tenta é limitar o tempo de uso do aplicativo. Alguns celulares, como o meu, possuem ferramentas nativas para isso. Outros exigem aplicativos externos. Em ambos os casos, você pode definir um limite diário para usar cada rede social.


Mas existe um problema. Na minha experiência, e também baseado nos relatos de muitas outras pessoas, isso raramente funciona quando já existe o vício. Porque vício significa perda de autocontrole. E quando perdemos o autocontrole, sempre encontramos uma forma de burlar as próprias regras.


O que geralmente acontece é: o limite diário chega… e nós mesmos vamos lá nas configurações e aumentamos o tempo.


Se você já tentou fazer isso e falhou, saiba que não está sozinho. Talvez o problema não seja falta de disciplina. Talvez seja apenas que essa estratégia não é forte o suficiente para combater um vício.


Às vezes, a única solução é ser radical

Foi então que percebi algo importante: quando estamos lidando com um vício, muitas vezes precisamos ser drásticos. E isso significa cortar completamente o contato com aquilo que nos prende, pelo menos no início.


Percebi isso ao lembrar de uma experiência anterior. Anos antes, eu havia desenvolvido um hábito parecido com o Twitter. Pouco tempo depois, a rede foi temporariamente bloqueada no Brasil e eu simplesmente deixei de usá-la. Quando voltou a funcionar e eu reinstalei o aplicativo, algo curioso aconteceu: o interesse havia desaparecido. Aquilo que antes me prendia simplesmente perdeu a graça.


Foi então que tive uma ideia: e se eu fizesse o mesmo com o Instagram?


Meu experimento: 40 dias sem Instagram

Decidi desinstalar o aplicativo do meu celular. Avisei meus seguidores (uso a rede também para divulgar meu trabalho como escritora) e estabeleci um período de 45 dias longe da plataforma. Na prática, acabei voltando um pouco antes por causa do lançamento de um livro. No total, foram 40 dias sem Instagram.


Os primeiros dias foram estranhos. Confesso que tentei burlar minha própria regra entrando pelo navegador do computador. Mas o layout da versão web do Instagram é muito menos envolvente que o aplicativo. A experiência não era tão estimulante, e eu perdia o interesse rapidamente. Depois de alguns dias, parei completamente de acessar.


Foi então que percebi algo curioso: meu corpo ainda buscava aquele estímulo. Eu desbloqueava o celular várias vezes ao dia e abria aplicativos aleatórios, como se estivesse procurando algo para clicar. Era quase um reflexo automático. Mas aos poucos isso foi diminuindo. E, com o tempo, algo inesperado aconteceu: eu simplesmente parei de sentir falta do Instagram.


A liberdade de não saber de tudo

No meio desse período, aconteceu algo que me marcou. Em um grupo de WhatsApp, algumas amigas começaram a comentar sobre uma “treta” que estava acontecendo no Instagram. Antes disso, eu adorava acompanhar esse tipo de coisa. Mas, naquele momento, senti algo diferente. Não foi o famoso FOMO (Fear of Missing Out), o medo de estar perdendo algo. Foi o oposto. Senti alívio.


Alívio por não estar acompanhando aquela discussão. Alívio por não estar mergulhada naquele fluxo interminável de opiniões, conflitos e distrações.


Pela primeira vez em muito tempo, percebi que não precisava estar por dentro de tudo, e a leveza que veio com essa descoberta foi enorme.


O retorno ao Instagram (com regras diferentes)

Depois de algum tempo longe da rede, eventualmente precisei voltar a utilizá-la. Mas eu sabia que precisava fazer isso de forma diferente.


Nos primeiros dias após reinstalar o aplicativo, percebi algo preocupante: meus dedos voltaram automaticamente ao ícone do Instagram. Eu estava começando a repetir o antigo comportamento. Foi então que decidi tornar o acesso ao aplicativo o mais difícil possível.


A estratégia que realmente reduziu meu uso

Comecei a usar um aplicativo chamado ScreenZen. Ele permite adicionar etapas extras antes de abrir aplicativos específicos. No meu caso, configurei duas barreiras:


  1. Uma pergunta antes de abrir o aplicativo.

    Sempre que clico no Instagram, aparece a pergunta: “Isso é realmente importante?”

  2. Um pequeno desafio matemático antes da abertura.

    Só depois disso o aplicativo finalmente abre.


Parece exagero, mas funcionou. O processo ficou tão chato que, muitas vezes, eu simplesmente desistia de abrir o Instagram. Hoje, meu uso da rede é bastante restrito. Geralmente entro apenas para postar algo necessário ou responder mensagens e comentários. O consumo passivo de conteúdo praticamente desapareceu.


Uma mudança simples que ajuda muito: menos celular

Outra coisa que percebi é que quanto mais pegamos no celular, maior é a tentação de abrir redes sociais. Por isso comecei a trazer algumas atividades de volta para o mundo analógico.


Alguns exemplos simples:


  • Usar relógio de pulso em vez de olhar a hora no celular

  • Carregar um caderno para anotações ao invés de usar o bloco de notas

  • Ler um livro ou fazer palavras cruzadas em momentos de espera, ao invés de jogar joguinhos eletrônicos

  • Evitar desbloquear o celular sem necessidade


Cada pequena decisão dessas reduz o número de vezes que você pega o telefone, e, consequentemente, reduz as chances de recaída.


Precisamos levar o vício em redes sociais a sério

Existe uma tendência de tratar o vício em redes sociais como algo inofensivo. Mas vício é vício. Ele sempre traz algum tipo de prejuízo, seja para nossa atenção, produtividade, saúde mental ou qualidade de vida. Se um amigo estivesse tentando abandonar o alcoolismo, provavelmente evitaríamos convidá-lo para um bar. Com redes sociais, a lógica deveria ser semelhante. Quanto menos estímulos e tentações tivermos durante o processo de mudança, maiores serão as chances de sucesso.


Um lembrete final

Se você percebeu que também tem uma relação difícil com alguma rede social, saiba que você não está sozinho.


Cada vez mais pessoas estão percebendo os efeitos desse excesso de estímulos digitais. Falar sobre isso é importante. E, às vezes, a primeira mudança necessária é simples: permitir-se ficar um tempo desconectado. Pode ser que você descubra que existe vida no silêncio.

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Kézia Garcia - escritora de ficção cristã de mistério e suspense

Olá, que bom ver você por aqui!

Eu sou a Kézia, apaixonada por literatura e arte e escritora de livros de mistério.

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