top of page

Por que fiquei 40 dias sem Instagram e repensei minha relação com o digital

No final do ano passado, tomei uma decisão que parecia simples, mas revelou algo bem mais profundo: ficar um período totalmente sem Instagram. A ideia inicial era passar 45 dias fora da plataforma, mas acabei ficando 40, tempo suficiente para perceber o quanto o meu relacionamento com o celular e com as redes sociais estava longe de ser saudável.


Neste post, quero compartilhar essa experiência, o que ela me ensinou sobre vício digital, leitura, trabalho criativo e por que decidi repensar a forma como construo minha carreira.



O vício em redes sociais e a falsa sensação de controle


A decisão de sair do Instagram não foi planejada com calma. Ela veio de um lugar de urgência. Eu passava tempo demais rolando a tela, consumindo conteúdos aleatórios, sem perceber para onde as horas estavam indo.


Essa não foi a primeira tentativa. Em outro momento, eu cheguei a decidir desinstalar o aplicativo e acessar apenas pelo computador, continuando a produzir conteúdo. Mas não fui forte o suficiente: mantive o app, mantive o hábito, e o vício continuou.


Foi só no fim de novembro que decidi sair de vez.


No início, foi surpreendentemente fácil. Eu não sentia falta do Instagram. Parecia que ele realmente não fazia nenhuma diferença na minha vida.


Até que percebi algo importante.


Substituir um vício não é o mesmo que abandoná-lo


Mesmo sem Instagram, meu tempo de tela não diminuiu. Eu estava apenas substituindo um comportamento por outro: Pinterest, joguinhos, Substack, WhatsApp, chegando ao ponto de rolar conversas antigas sem ter nenhuma mensagem nova.


Foi nesse momento que caiu a ficha: o problema não era apenas o Instagram, mas a necessidade constante de estímulo.


Ainda assim, esses 40 dias foram fundamentais para eu enxergar o tamanho da dependência e começar a tomar decisões mais conscientes.


Por que decidi investir mais no YouTube (e menos no celular)


Uma das primeiras decisões práticas que tomei depois dessa experiência foi investir mais no YouTube. Não porque o YouTube seja “melhor” que o Instagram, mas porque ele permite algo essencial para mim hoje: menos dependência do celular.


Lá eu consigo criar conteúdo de forma mais intencional, construir comunidade a longo prazo e trabalhar majoritariamente pelo computador


Além disso, o YouTube oferece recursos que substituem bem o Instagram, como Shorts e a aba Comunidade, sem me prender tanto ao consumo automático.


Também comecei a investir mais em newsletter, justamente por ser um espaço que controlo mais e que não depende de algoritmos voláteis.


A fragilidade de uma carreira 100% digital


Viver da escrita sempre foi — e continua sendo — um grande sonho. Mas, com o tempo, percebi algo desconfortável: quando toda a sua renda depende da internet, sua carreira é extremamente frágil.


Perfis podem ser derrubados. Contas podem ser bloqueadas. Plataformas podem simplesmente deixar de existir.


Isso vale para Instagram, YouTube, Amazon, qualquer uma.


Depois de anos trabalhando tanto de forma informal quanto formal, consigo dizer com clareza: os “benefícios” do trabalho informal nem sempre compensam os riscos, especialmente quando tudo depende do digital.


Por isso, decidi voltar a estudar para concursos.


Voltar a estudar depois de anos (e lidar com a frustração)


Confesso: voltar a estudar tem sido difícil. Às vezes me sinto lenta, cansada, com dificuldade de concentração. Não sei se é a idade, a falta de hábito ou o tipo de estudo, agora mais ativo, tentando explicar o conteúdo para mim mesma, em vez de apenas ler.


Depois de perceber que, após 30 minutos, minha mente já estava exausta, decidi testar o método Pomodoro, com ciclos de 25 minutos de estudo e 5 de pausa.


Não é fácil, mas é um começo.


Leitura durante 40 dias longe do Instagram


Mesmo com a substituição do vício, algo positivo aconteceu: minhas leituras fluíram melhor.


Durante esse período, li cerca de 5 ou 6 livros, incluindo leituras curtas e um que já estava em andamento. Não é uma competição. Sei que cada pessoa tem seu ritmo. Mas para mim foi uma melhora significativa.


Leituras do período


  • Apenas um olhar, de Harlan Coben

Gostei, mas não amei. O final é excelente, apesar de algumas ressalvas.


  • Assassinato pelo Livro, de Poppy Waverly

Um livro de qualidade duvidosa (curtinho, felizmente). Não recomendo.


  • Assassinato na Casa do Pastor, de Agatha Christie

Narrado pelo pastor Clement, com a primeira aparição de Miss Marple. Excelente leitura. Recomendo muito.


  • Uma Alma pela Metade, de Olivia Atwater

Uma romantasia ambientada no período regencial, com uma mensagem linda.


  • A Marca do Cristão, de Francis Schaeffer

Curto, profundo e muito necessário.


  • O Evangelho de Jesus Cristo, de Paul Washer

Todo cristão deveria ler.


Além disso, iniciei as leituras de O Cavalo Cor-de-Rosa e Lições sobre Afogamento, esta última como inspiração para um projeto antigo que quero finalmente concluir.


Conclusão: menos estímulo, mais intenção


Ficar 40 dias sem Instagram não resolveu tudo, mas me deu clareza.


Hoje, quero menos dependência do celular, mais presença e uma carreira mais sólida.


Talvez essa experiência não faça sentido para todo mundo. Mas se você sente que o digital tem controlado mais do que ajudado, talvez valha a pena parar, nem que seja por um tempo, e observar.


Às vezes, o silêncio revela mais do que o feed.



Comentários


Kézia Garcia - escritora de ficção cristã de mistério e suspense

Olá, que bom ver você por aqui!

Eu sou a Kézia, apaixonada por literatura e arte e escritora de livros de mistério.

Receba por e-mail todas as notícias e novidades

Conheça o livro

Cidades Pequenas não Guardam Segredos - ficção cristã de mistério e suspense

Cidades pequenas não guardam segredos

Após ser contratada para solucionar o caso de um incêndio em uma cidade pequena, Cecília descobre que lugares pacatos também escondem seus segredos.

Receba novidades e notícias em primeira mão

bottom of page