Assassinato na Casa do Pastor: vale a pena ler? (minha experiência + reflexões de escrita)
- 26 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 30 de abr.
Esse não é o tipo de livro da Agatha Christie que eu costumo ler, e talvez por isso ele tenha me surpreendido tanto.
Mais do que uma leitura diferente, Assassinato na Casa do Pastor acabou me fazendo refletir como escritora.
Como já comentei outras vezes, estou em um desafio pessoal de ler todos os livros da Agatha Christie, e essa leitura tem sido especial por vários motivos.
Neste artigo você vai ler:
📖 A leitura (o livro)
🔍 O que me chamou atenção
✍️ O que isso me ensinou como escritora
🧠 Reflexões pessoais (diário)
🎯 Planos / metas
🎥 Prefere assistir em vez de ler?
Eu conto tudo (com mais detalhes e impressões pessoais) no vídeo abaixo:
Um livro fora da minha zona de conforto na Agatha Christie
Esse livro integra um dos boxes lançados pela HarperCollins, que reúnem três títulos por edição. Esse formato tem sido uma ótima maneira de diversificar minhas leituras dentro da obra da Agatha.
Até então, coincidentemente, todos os livros dela que eu havia lido eram protagonizados por Hércule Poirot. Neste box específico, temos três histórias com três detetives diferentes, incluindo este, que marca a primeira aparição de Miss Marple, a segunda detetive mais famosa da autora.
A história de Assassinato na Casa do Pastor
A trama se passa em uma pequena aldeia, cenário que eu particularmente amo em histórias de mistério. Existe algo de acolhedor nesse tipo de ambientação, ao mesmo tempo em que o fato de todo mundo se conhecer — e fofocar sobre a vida alheia — cria uma atmosfera perfeita para o gênero.
Histórias assim, em cidades pequenas, onde todo mundo parece se conhecer, sempre me encantam. E, pensando bem… é exatamente esse tipo de atmosfera que eu também exploro em meu livro, Cidades Pequenas Não Guardam Segredos.
Em Assassinato na Casa do Pastor, conhecemos o Pastor Clemente e sua esposa, Griselda, dois personagens extremamente carismáticos. Os diálogos entre eles são espirituosos, divertidos e, em muitos momentos, carregados de observações bem afiadas sobre a vida na vila.
Uma surpresa muito interessante é que, apesar de este ser o primeiro livro em que Miss Marple aparece, ela não é a protagonista da história. O foco está no próprio pastor, que narra os acontecimentos em primeira pessoa. Miss Marple surge como uma personagem secundária, pelo menos até o ponto em que estou na leitura.
Achei essa uma forma muito inteligente de apresentar a personagem ao leitor, despertando curiosidade sobre como ela se tornaria, mais tarde, uma das grandes detetives da Agatha Christie.
Miss Marple e o poder da observação
Miss Marple é vizinha do pastor e é descrita como uma senhora curiosa, atenta a tudo o que acontece na vila. Alguns a chamam de fofoqueira — e, de fato, ela gosta de saber da vida alheia. Mas, nesse caso, isso se torna uma grande vantagem.
Como observa tudo, ela detém informações valiosas, e o Pastor Clemente frequentemente recorre a ela para confirmar detalhes, perceber comportamentos estranhos ou entender melhor a dinâmica entre os moradores.
Meu diário de leitura (e por que comecei um)
Junto com essa leitura, comecei algo que já queria fazer há muito tempo: um diário de leituras. Comprei um caderninho onde estou anotando trechos que me chamam atenção, sejam impactantes, engraçados ou simplesmente bem escritos. Comecei esse diário porque queria registrar momentos de leitura que realmente me marcassem. Não só a história, mas as frases, os detalhes, as pequenas observações.
Curiosamente, quase todos os trechos que anotei até agora são falas do próprio Pastor Clemente. Um dos meus favoritos é este:
“É um mistério para mim como se consegue ingerir algum alimento nesse lugar. Devem fazer suas refeições em pé, junto à janela, para ter certeza de que não estão perdendo nada.”
Essa observação resume perfeitamente a atmosfera da vizinhança fofoqueira da história.
Criando teorias (e errando suspeitos)
Uma das coisas que mais gosto em histórias de mistério é tentar resolver o caso antes do final. E aqui eu fiz exatamente isso. Criei teorias, desconfiei das pessoas erradas, e, claro... errei.
Mas esse é o tipo de experiência que torna a leitura tão envolvente.
No ponto em que parei a leitura — por volta da página 144, mais da metade do livro —, comecei a formular minhas próprias teorias. Suspeitei de dois personagens que pareciam “soltos” na narrativa: sempre citados, mas nunca realmente desenvolvidos ou conectados à vítima.
Esse tipo de construção sempre me chama atenção em histórias de mistério. No entanto, quando um desses personagens passou a receber destaque repentino, percebi que provavelmente minha suspeita estava errada. Afinal, ainda faltavam muitas páginas, e dificilmente a Agatha revelaria o verdadeiro culpado tão cedo.
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Natal, planejamento e um visual board literário
Gravei esse vídeo logo após o Natal, que passei com minha família, em um dia simples e divertido — com brincadeiras, bingo e presentes úteis (que eu amo).
No dia seguinte, comecei a planejar meu 2026, algo que já venho fazendo com mais intenção há algum tempo. Uma das coisas mais especiais foi criar um visual board, não para o ano em si, mas para um livro que quero finalmente escrever.
É um projeto antigo, que já comecei e recomecei várias vezes, e que carrega um significado muito grande para mim. Talvez justamente por isso ele tenha me travado por tanto tempo.
O livro que quero finalmente terminar
Essa leitura me lembrou por que eu amo escrever mistério. E também me fez pensar no livro que quero finalmente terminar de escrever: mistério e investigação, mas em um universo fictício com estética dark academy. Temos:
Uma protagonista violinista
Um mocinho investigador
Um ambiente universitário
Música como elemento importante
E… monstros
Criar esse visual board foi uma forma de me manter imersa nesse universo e me lembrar diariamente do motivo pelo qual quero escrever esse livro.
Em 2026, minha decisão é simples: vou escrever até o fim, mesmo que eu ache o resultado ruim no começo. É melhor ter um livro escrito para melhorar depois do que nunca terminar.
Repensando metas: menos sonhos, mais tarefas
Essa leitura acabou puxando algo além da história. Ela me fez pensar no que eu estou construindo como escritora e no que quero fazer em 2026. Por isso, fiz uma mudança importante na forma como passei a encarar metas, e percebi que cometia dois erros principais:
1. Estabelecer metas que não dependem só de mim.
2. Criar metas vagas.
Hoje, prefiro pensar em tarefas concretas, específicas e realizáveis. Em vez de objetivos abstratos, crio listas de ações que me aproximam do que quero alcançar.
Dividi minha vida em áreas — profissional, financeira, saúde, intelectual — e, para cada uma, listei tarefas únicas e hábitos recorrentes. Também decidi implementar novos hábitos aos poucos, começando com poucos por mês, para aumentar as chances de sucesso.
Conclusão
Essa leitura, junto com esse período de reflexão, tem sido um lembrete importante: criar, ler e planejar exige intenção, paciência e gentileza consigo mesma.
Trocar metas inalcançáveis por tarefas possíveis, respeitar o próprio ritmo criativo e permitir-se errar faz toda a diferença no longo prazo.
No fim, essa leitura me lembrou de algo importante: histórias de mistério não são só sobre descobrir o culpado,mas sobre observar, interpretar e duvidar. E, talvez por isso, eu queira escrever esse tipo de história cada vez mais.
Se você gosta de livros mistérios em cidades pequenas, comece agora a ler Cidades Pequenas Não Guardam Segredos.
👉 E você? Gosta de mistérios mais “psicológicos” ou mais investigativos?



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